Sunday, June 27, 2004

Memórias Vãs

Suspiros mudos e inquietos,
Soluços perdidos num vácuo de memórias,
Tinta correndo pelas linhas esquecidas do pensamento…
Sufocas-me e fazes-me viver
Escondes-te dentro do meu ser…
Um dia no nevoeiro do tempo tudo deixará de ser,
Um dia o telefone deixará de tocar,
Um dia …
Vou rasgar o ar,
Inventar um sonho azul,
Imaginar possíveis diálogos,
Palavras que um dia serão apagadas e esquecidas…
Presa num momento,
O vazio irá preencher as entrelinhas das conversas esquecidas,
O sabor a fel de pequenos momentos,
De pequenos silêncios…
O reflexo no espelho serás tu e não eu…
Não adormeço, não durmo, não me mexo…
Voltemos atrás,
Apenas um segundo…
O bastante para me perder de novo no teu olhar,
No teu sorriso vidrado que me faz chorar…
Voltemos atrás…
Só hoje, só desta vez…
Prometo morrer no instante a seguir a abrir os olhos…
Conta-me, fala-me dos teus segredos,
Dos teus medos,
Corta-me os punhos, só pelo prazer de me veres sangrar…
Quero dormir…
Onde possa esticar a mão e sentir o mar…
Onde apenas tu me possas tocar,
Semeei o teu nome por todo o lado,
E agora deito-me,
E espero que o suicídio me traga palavras quentes,
Cheira a incêndio,
Ardem-me as mãos geladas…
Tenho o olhar escondido na inquietação da luz,
Guardo no peito o sossego dormente das palavras,
Encosto-me no ombro do silêncio,
Sou embalada pelas notas de um violino esquecido à beira mar…